UMA EMPRESA SÓ VENCE A CRISE COM BONS PROFISSIONAIS, DIZ FUNDADOR DA POSITIVO INFORMÁTICA

O engenheiro Hélio Bruck Rotenberg criou a Positivo Informática aos 27 anos, ao lado de Oriovisto Guimarães, o fundador do grupo educacional Positivo.

Era 1989. Hélio trabalhava como professor de informática do grupo de educação e teve a ideia de criar um braço computacional para resolver problemas de tecnologia.

O Brasil engatinhava na democracia e vivia algumas situações impensáveis para os dias atuais. Como, por exemplo, a “Política Nacional de Informática” – uma regra que dizia que empreendedores do ramo de tecnologia não podiam importar hardware e software para montar os computadores, mas sim desenvolvê-los e produzi-los. A política, resquício da ditadura, morreu em 1991.

A Positivo, naquele momento ainda uma empresa pequena, tinha então o caminho livre para crescer. Primeiro, começou a vender software nacional para as escolas e o governo. “A estratégia deu certo e viramos referência”, diz Rotenberg, que neste momento já era sócio da Positivo Informática.

Em 2004, mesmo com o país com a economia patinando, Rotenberg queria levar a Positivo Informática a um novo patamar e fez uma manobra arriscada: levou a empresa para o varejo.  “Era uma aposta, já que a moeda brasileira estava muito desvalorizada. Mas eu acreditava que as pessoas iam comprar muito computador por causa da popularização da internet”. Deu certo. “Em 2005, quando nasceu a Lei do Bem, que dá isenção total de PIS/Pasep e Cofins para computadores fabricados no Brasil, eu estava bastante preparado para vender para a classe C. Inclusive, à frente de concorrentes estrangeiros”, diz.

Hoje, Rotenberg tem vários concorrentes e um mercado de PCs em queda. Mas isso não o desanima. Ele levou a empresa para a Argentina e África, mercados que ainda demandam computadores. No Brasil, ele aposta em celulares simples e smartphones. “O grande objeto de desejo da população atualmente”, afirma.

Mudando no tempo certo e se adaptando ao mercado, a Positivo se transformou em uma das principais empresas de tecnologia do país e do mundo, com faturamento na casa dos R$ 2 bilhões. Rotenberg é um dos entrevistados série Pitch, do site de Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Confira:

Nome: Hélio Bruck Rotenberg
Idade: 54 anos
Onde nasceu: Curitiba (PR)
Onde mora: Curitiba (PR)
Qual empresa fundou: Positivo Informática, em maio de 1989
O que faz:  Sou o presidente da empresa
Quem o inspira no empreendedorismo: Meu avô Max Rotenberg. Ele veio da Europa sem nada e montou uma malharia. Foi com ela que conseguiu educar os filhos. Me inspiro também em Oriovisto Guimarães, que tornou o Grupo Positivo em um grande grupo educacional do país.
Qual negócio queria ter criado:  A Apple, que é uma referência no mercado de tecnologia.
Ser empreendedor é:  Ser hábil para liderar e rápido para decidir.
Como ser um bom chefe:  Eu trabalho muito para montar uma boa equipe com bons profissionais. Mas não é só contratar. Eu preciso estar atento para mantê-los na empresa. Só uma equipe competente e ajustada não deixa uma oportunidade de negócios passar.
Um sucesso: Ter lançado a empresa numa época de crise, apostar no crescimento num cenário economicamente ruim e, principalmente, ter contribuído no processo de inclusão digital do Brasil.
Um fracasso: Apostar na fabricação de impressoras na Positivo. O projeto deu errado. Eu devia ter apostado em cartucho de tintas, pois é ele que dá lucro em impressão.
O que não pode faltar num negócio: Deixar de ouvir o cliente. O consumidor é a fonte mais precisa de informações para um negócio.
Já faliu: Nunca. E espero que nunca aconteça comigo.
Em qual negócio jamais apostaria:  Empresas que fazem mal para saúde e viciam, como cigarro, por exemplo.
Sua principal inovação:  A criação de computadores para a classe média brasileira. E, mais recentemente, o lançamento da marca de smartphones Quantum.
Um desafio: Liderar uma empresa de tecnologia num mercado competitivo. E sobreviver à crise sempre crescendo e inovando.
Um medo: De não fazer algo que possa ser feito. Deixar uma oportunidade passar.

 

Referência: http://revistapegn.globo.com/